sexta-feira, 23 de março de 2012

NÃO BASTA EXISTIR, É PRECISO VIVER

Não basta existir, é preciso viver. E viver é muito mais que existir.


Viver implica aprender e, para ser aprendiz, é preciso humildade para reconhecer a própria ignorância.

Viver implica educar-se para o amor, e, amando e amado, experimentar a angústia de saber-se iluminado sem sentir-se luz, vivenciando as dores e as venturas de sentir-se completo sem poder ser pleno.

Viver implica movimento. E não há movimento sem esforço e atrito.
A vida é dinâmica, jamais se estanca. Vibra serena e sem pressa, embora nunca pare para esperar quem ignore seu ritmo.

Para existir, basta estar. Para viver, é preciso ser, por inteiro. E para viver, ainda que existindo, é preciso ser estar e estar, num ser único.

Viver implica acreditar-se imortal e eterno, mesmo sabendo que nada é permanente.

Viver implica progredir, ir adiante, avançar.

Viver é existir de todas as formas e em todas as dimensões, amando cada uma delas.

Para viver, não basta ver, ouvir, pensar e falar, pois estas são manifestações da existência. Para viver, é preciso sentir, mergulhar em si mesmo e sair, novamente, para observar-se sem paixão.

Viver implica iluminar-se e, sob a luz da própria consciência, apontar os próprios defeitos e limites.

Viver implica assumir a responsabilidade pelos próprios atos, transformando-os todos em gestos de amor e compaixão.

Viver implica conhecer-se, profundamente, e, ciente de si, deixar de enganar-se, trabalhando para mudar aquilo que não está bem.

Viver implica reconhecer, no universo, o próprio lar; nas humanidades cósmicas, a própria família; na criação infinita, o próprio berço; e na natureza a própria saúde e o único sustento.

Não há vida sem troca, não há troca sem perdas, não há perdas sem ganhos, não há ganhos sem lutas, não há lutas sem dor, não dor sem razão; e não razão fora da vida.

Viver é muito mais que existir, mas ninguém aprende a viver plenamente sem existir, muitas vezes, de muitas maneiras.

Viver é transcender o que se pensa saber da vida, para assimilar-lhe a verdadeira sabedoria.

Viver implica arriscar-se. E o maior risco é errar.

Mas viver também implica estar certo. E a maior certeza é a de que, a cada erro, mais se pode aprender.

Para existir basta ter sangue nas veias e ar nos pulmões. Para viver, no entanto, é preciso sangrar e sufocar-se de tanto amor.

Na existência, há apenas meias verdades e grandes mentiras, enquanto a vida no conduz ao coração da única verdade absoluta.

Viver é manifestar-se sem tempo ou espaço; é ser fogo ardendo sempre, sem se queimar; é verbo que não se conjuga, apenas se pratica; é palavra que não se define, apenas se diz; é conceito que não se explica, apenas se vive.

Viver é estar no todo, sendo tudo, sem nunca esgotar-se.

Quem vive, canta por dentro, a despeito do silêncio exterior. Quem vive, existe em todos os lugares, sem pertencer a nenhum. Quem vive, busca, em si mesmo, o que deseja para o seu caminho e, quando encontra, volta a buscar.

Quem vive, não vê morte, apenas transformação; não morre, transmuta-se para a vida; não nasce, apenas passa pela morte para viver.

Viver é ir mais, mudar sempre, virar-se e revirar-se, buscar o próprio avesso, sem saber onde fica o direito.

Viver é enxergar a luz, mesmo nas sombras, e criar luz nas próprias trevas.

Viver é expandir a própria existência para além dos limites imaginados.

Viver é doar-se, sem pedir; é ceder, sem resistir; é entregar-se, sem recear.

Quem vive, renasce um novo ser todos os dias.

Quem vive, tem a própria existência traçada a lápis e recria o próprio destino, minuto a minuto, com a borracha da sabedoria e do perdão.

Quem vive, não sabe o caminho ou quando chegará, para sabe para onde está indo.

Quem vive, continua na morte e recria-se ao nascer, sabendo que é preciso morrer para nascer e é preciso existir para morrer.

Viver é ter na própria consciência uma única história, representada por milhares de faces, nomes, episódios de milhares de existências.

Para viver, não basta existir, pois existir é pouco para um ser que nasceu para ser Deus.


- Maísa Intelisano –
São Paulo, 02 de fevereiro de 2005.

Esse texto foi inspirado espiritualmente por um amparador extrafísico, durante uma reunião do Grupos de Estudos e Assistência Espiritual do IPPB.

domingo, 18 de março de 2012

A cultura do ficar


As mudanças ocorrem e atualmente o "ficar", marca registrada de uma relação superficial, está disseminado e vai além das fronteiras da adolescência. Jovens adultos e, por vezes, não tão jovens, rendem-se a essa prática. O que pretendem? O que encontram?

Qualquer dia da semana, a qualquer horário, nas escolas, nos clubes, nos shoppings, nas baladas de todos os tipos e acreditem até mesmo no transporte coletivo, observamos casais que não satisfeitos com o flerte , um namorico à moda antiga, entregam-se a beijos e carícias com pessoas que muitas vezes estão vendo pela primeira vez e hora.

O Prof. Dr. Sandro Caramaschi da Universidade Estadual de São Paulo diz "ficar não é uma mudança comportamental isolada, e sim o reflexo de uma sociedade composta por pessoas mais centradas em si mesmas". Acrescenta que "ficar" pode ter a duração de um beijo, uma noite, algumas semanas mas, sem telefonemas ou confirmação de encontros.

Segundo a psiquiatra e psicanalista Simone Sotto Mayor, "numa cultura onde o transitório e o descartável cada vez têm mais lugar, o "ficar" parece representar o máximo possível de uma relação provisória. Nesse caso os envolvidos parecem estar interessados apenas no bônus da experiência sensorial. Os ônus seriam os do compromisso."

O psicoterapeuta de adolescentes Içami Tiba sinaliza que essas relações superficiais, relações "fáceis", são indicativas de que a tolerância está diminuindo assim como a capacidade de superar as frustrações.

Os jovens dizem que trata-se de uma forma de conhecimento. Algumas vantagens apontadas: conhecer muitas pessoas diferentes , possibilidade de avaliar um maior número de parceiros e a ausência de compromisso, diz a psicóloga Olga Tessari.

Ora, namorando você também conhece pessoas e nada limita o número de namoros possíveis para uma pessoa, já quanto ao compromisso o mesmo não acontece , pois, em nossa cultura o namoro supõe fidelidade. No "ficar" a frase "se aparecer alguém melhor ... estamos liberados" se aplica sem discussão, já no namoro por existir um vínculo afetivo, se o rompimento for unilateral provocará sofrimento. Viver uma relação sob a ótica do "ficar" nos remete a valores imputados pela sociedade de consumo, assim tudo é descartável, transitório e sempre há melhor.

Sem sofrimento, sem dor, sem compromisso, sem vínculo, mas também sem afeto, sem intimidade emocional, sem sentimentos profundos.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Almas Perfumadas...

Tem gente que tem cheiro de passarinho quando canta, ou de sol quando acorda.

De flor quando ri.

Ao lado delas, a gente se sente no balanço de uma rede que dança gostoso numa tarde grande, sem relógio e sem agenda.

Ao lado delas, a gente se sente comendo pipoca na praça, lambuzando o queixo de sorvete,

melando os dedos com algodão doce da cor mais doce que tem pra escolher.

O tempo é outro e a vida fica com a cara que ela tem de verdade, mas que a gente desaprende de ver.

Tem gente que tem cheiro de colo de Deus, de banho de mar quando a água é quente e o céu é azul.

Ao lado delas, a gente sabe que os anjos existem e que alguns são invisíveis.

Ao lado delas, a gente se sente chegando em casa e trocando o salto pelo chinelo, sonhando a maior tolice do mundo com o gozo de quem não liga pra isso.

Ao lado delas, pode ser abril, mas parece manhã de Natal do tempo em que a gente acordava e encontrava o presente do Papai Noel.

Tem gente que tem cheiro das estrelas que Deus acendeu no céu e daquelas que conseguimos acender na Terra.

Ao lado delas, a gente não acha que o amor é possível, a gente tem certeza.

Ao lado delas, a gente se sente visitando um lugar feito de alegria, recebendo um buquê de carinhos, abraçando um filhote de urso panda, tocando com os olhos os olhos da paz.

Ao lado delas, saboreamos a delícia do toque suave que sua presença sopra no nosso coração.

Tem gente que tem cheiro de cafuné sem pressa,

do brinquedo que a gente não largava, do acalanto que o silêncio canta, de passeio no jardim.

Ao lado delas, a gente percebe que a sensualidade é um perfume que vem de dentro e

que a atração que realmente nos move não passa só pelo corpo,

corre em outras veia pulsa em outro lugar.

Ao lado delas, a gente lembra que no instante em que rimos Deus está conosco, juntinho ao nosso lado e a gente ri grande que nem menino arteiro.

Tem gente, como você, que nem percebe como tem a alma perfumada!

E que esse perfume é dom de Deus.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Você sabe por quê o mar é tão grande? Tão imenso? Tão poderoso?
É porque foi humilde o bastante para colocar-se alguns centímetros abaixo de todos os rios. Sabendo receber, tornou-se grande. Se quisesse ser o primeiro, se quisesse ficar acima de todos os rios, não seria mar, seria uma ilha.
E certamente estaria isolado."

HUMILDADE... a chave para a evolução de todos !

Mudanças...

O meu ser está em constante mudança e transformação, as vezes me sinto como uma lagarta, que aos poucos vai desabroxando e se transformando em uma linda, colorida e radiante borboleta, outras vezes me sinto como uma fênix que vai morrendo aos poucos, para ressurgir mais alaranjada do que nunca de suas próprias cinzas.... os dias e as noites vão se passando e as mudanças ocorrendo, algumas muito rápidas que chegam a ser dolorosas, outras tão sutis que eu nem percebo, quando me dou conta, já mudei!

Muita coisa aconteceu e está acontecendo ao meu redor, tenho que prestar muito a atenção nos pequenos detalhes, e nos pequenos sinais que o universo manda pra mim, e para isso preciso de foco constante, pois não posso perder a oportunidade de fazer o certo, e fazer tudo diferente, do que da última vez, mesmo que as vezes o errado também seja o certo, vai saber né?
Vá entender os sinais que o universo envia, as vezes me sinto perdida, sem saber pra onde ir, se isso é o certo, ou o errado, muitas dúvidas rondam os meus pensamentos, mas no fim mesmo, é seguir os sinais que o meu coração sente, é o mais sábio, talvez nem sempre seja a decisão mais fácil de ser tomada, mas com certeza é a mais sábia!

Todos devemos mudar, o tempo todo, porque ficar estagnado não é legal, pena que nem todos sentem essa necessidade ou são tão corajosos o suficiente, para se abrir a isso e se permitir ao novo, ao recomeço, se permitir a se entregar, sem reservas, sem medo e sem intenção de nada, apenas de ser FELIZ!!!!

Thaimí Quevedo

sábado, 3 de março de 2012

Meditação e Amor



Quem quiser harmonia no amor precisa aprender a ser mais meditativo.
O amor sozinho é cego, quem enxerga é a meditação. É bom substituir brigas por entendimento. Os conflitos existem por falta de compreensão. As palavras medicina e meditação têm a mesma raiz. A medicina cura o corpo, a matéria e a meditação cura a alma, o espírito. O amor é uma meditação e ela desabrocha no amor. Meditação é um estado de bênção, não-pensamento, serenidade e silêncio.
É autodescoberta e a necessidade de compartilhar: o amor.
Meditação é um estado de não-mente, de pura consciência.
É preciso aprender o truque de não nos envolvermos com a mente, a arte de permanecermos indiferentes.
Maturidade é conhecer algo em nós que é imortal: a meditação, que conhece Deus.
A mente conhece o mundo, fica obcecada pelas nuvens, que vão e vêm.
A meditação busca o céu, que é permanente. Devemos buscar o céu interior.
A meditação pode se tornar eternidade, é relaxamento em si, é um estado de não-vontade, de não-ação, de espontaneidade indisciplinada, sem direção, controle ou manipulação. Ela não tem meta, está no presente, é imediatismo.
Quem medita torna-se silencioso, tranqüilo, pois a meditação traz paz.
É a árvore que cresce sem semente, pois é mágica, misteriosa. Quem abandona o passado é meditativo. Na meditação vive-se o momento, nada interfere e a atenção é total, porque não há distração; só consciência.
Quem medita encontra o amor, pois a meditação nos torna amorosos e o amor nos torna meditativos.

...

Terminando um relacionamento
Onde houver consciência, há revolta contra a repetição mecânica.
Totalidade é a base da liberdade. Simpatia não é amor.Não se resolve problemas dentro da mente, pois ela é o problema, que não se resolve com respostas, por não ser um problema intelectual, mas existencial.Em vez de pensar é melhor entrar no silêncio, que é a porta a caminho da divindade. Relacionamento não é amor e amor não é relacionamento. Este é pronto e fechado e o amor é fluir. Relacionamento é estrutura; amor é não-estruturado. Amor é um processo, um estado de ser.
As pessoas amorosas não precisam de relacionamentos.
O relacionamento torna-se necessário quando o amor está ausente, ele o substitui.
É preciso muita coragem para permanecer aberto, sem criar um relacionamento.
O amor acontece, nós não o fazemos acontecer: só podemos nos tornar disponíveis. O amor vem do nada, como um solavanco e só é possível entre iguais.
Se escolhemos alguém que tem medo de aprofundar é porque nós também temos. Quando o amor se aprofunda, aumenta a liberdade.
Elevar-se no amor é um aprendizado, uma mudança, uma maturidade.
É algo espiritual. Quem é sábio não impõe sua idéia a ninguém. A vida é incerta, a insegurança é seu próprio espírito. Só a morte é certa.Nunca devemos perguntar sobre problemas dos outros.
Casamento
Ninguém nasce para o outro. Amor e liberdade andam juntos.
Ela é uma expressão do amor. "Dar" liberdade é confiar. O crescimento precisa de liberdade. De todas as artes, o amor é a mais sutil e precisa ser aprendida. Amor é felicidade, harmonia, saúde. Um grande amante está sempre pronto a dar amor e não está preocupado se vai receber de volta ou não.
O amor tem sua própria felicidade intrínseca.
Quanto mais amamos, maior a possibilidade da pessoa certa acontecer, porque o coração floresce. O amor real nos deixa felizes e harmônicos pela simples presença do outro. Amor é eternidade. Se estiver presente, cresce. Ele conhece o início, mas não o fim. Duas pessoas infelizes que se unem multiplicam sua infelicidade.

Solidão e Solitude

Na solitude estamos constantemente encantados conosco mesmos.
Ela é abençoada, um profundo preenchimento, que nos mantém centrados e enraizados. Ela é independente. Todos são um fim em si mesmos. Ninguém existe para ser usado. Quem está no pico da solitude só se atrai por quem também esteja só. Dois solitários olham um para o outro, mas dois que conheceram a solitude olham para algo mais elevado. Se estão felizes consigo mesmos, tornam-se companheiros.
As palavras felicidade e acontecimento têm a mesma raiz em inglês
Porque a felicidade simplesmente acontece. Para ser feliz é preciso deixar acontecer. O caminho do amor deve ser tomado com tremenda consciência e o da consciência, com tremendo amor. Depois de cada experiência profunda nos sentimos sós e tristes: seja um grande amor ou uma meditação. Por isso muitos evitam experiências profundas. A solitude é bela e livre. É um momento em que o outro não é necessário. Após essa liberdade o amor é possível. O amor traz solitude e a solitude traz amor. Já a solidão não cria amor; apenas necessidade.
Ela pode matar. Dois solitários não conseguem se relacionar porque isso não ocorre a partir da necessidade.
Solitude é uma flor desabrochando, é positiva, saudável.
Só o amor dá a coragem de sermos sós. Só assim acumulamos energia até transbordar e transformar-se em amor. Sós, acumulamos amor, celebração, dança, energia, prazer, vida. Só o excesso de energia possibilita o orgasmo, que não é um alívio, mas celebração. Quando os amantes se afastam, readquirem sua solitude, beleza e alegria.
A alegria traz a necessidade de compartilhar.
A paixão é muito pequena diante da compaixão.
Solitude é mover-se para dentro e amor é mover-se para fora.
Ambos os movimentos são enriquecedores.

Amor Verdadeiro

Quando há dependência não há maturidade nem amor, há necessidade.
Usa-se o outro, o que é desamoroso. Ninguém gosta de ser dependente, porque a dependência mata a liberdade. Os homens sempre querem mulheres que sejam "menos" do que eles. A maturidade vem com o amor e acaba com a necessidade. Amor é luxo, abundância. É ter tantas canções no coração, que é preciso cantá-las, não importando se há quem ouça. Quando somos autênticos, temos a aura do amor. Quando não, pedimos amor aos outros.
Quem se apaixona não tem amor e, assim, não pode dar.
Quem é maduro não cai de amor, mas se eleva nele.
Duas pessoas maduras que se amam, ajudam-se a se tornarem mais livres. Liberdade, moksha, é um valor mais elevado que o amor.
Por isso é que o amor não vale a pena se a destruir.

Ciúme

Quando há atração sexual e o ciúme entra é porque não há amor.
Há medo, porque o sexo é uma exploração. O medo se torna ciúme.
Não se pode amar alguém não-livre, pois o amor só existe se dado livremente, quando não é exigido, forçado e tomado.
Quanto mais controlamos, mais "matamos" o outro. As causas do ciúme estão dentro de nós; fora estão só as desculpas.
O amor não pode ser ciumento.
Ele é sempre confiante.
Confiança não pode ser forçada. Se ela existir, segue-se por ela.
Senão, é melhor separar, para evitar danos e destruição e poder amar outra pessoa. Quando amamos alguém, confiamos que não quererá outro.
Se quiser, não há amor e nada pode ser feito.
Só através do outro tornamo-nos conscientes de nosso próprio ser.
Só num profundo relacionar-se; o amor de alguém ressoa e mostra sua profundidade: assim nos descobrimos.
Outra forma de autodescoberta, sem o outro, é a meditação.
Só há dois caminhos para chegar ao divino: meditação e amor.