sexta-feira, 21 de maio de 2010

A Roda de Cura...


A Roda da Cura, ou Elo Sagrado é um símbolo indígena que engloba todos os ciclos da vida e representa as lições pelas quais devemos passar para honrar nossa jornada na boa Estrada Vermelha da vida física.

Uma vez absorvida a lição de um determinado ciclo, a Roda terá que girar, ainda que a força da resistência nos faça desejar reter seu movimento.

Contudo, o significado profundo da Roda vai muito além da mudança.

A virada nos força a admitir que existe um movimento ordenado por trás de tudo, que nada escapa à Inteligência Divina.

Ainda que tenhamos dor, se entregarmos à esta Força Maior, o resultado será sempre um salto qualitativo da consciência, em sua ascensão à iluminação.




A imagem da roda, círculo, ponto ou mandala evoca, desde os primórdios da humanidade, a idéia arquetípica da ligação com a Unidade de Deus (holos) e configura a misteriosa e insofismável lei que atua silenciosamente dentro de nós, atraindo recursos, pessoas, circunstâncias ou ações compatíveis com o nível de aprendizado que precisamos obter.
Uma vez sintonizados com a Vontade de Deus, e isso só é possível através da entrega, veremos como os processos se sucederão num ciclo de expansão e contração, tão natural quanto o fluxo da nossa respiração.




Os índios da América Nativa sabiam “escutar” os Espíritos do Vento que anunciavam qual ciclo estaria prestes a se manifestar, indicando a direção do crescimento e o potencial a ser aflorado.

Os ventos do sul reverenciam o totem do coiote, que pede ao caminhante que resgate a leveza, a humildade e a alegria irreverente da criança interior.

Os ventos do oeste, cujo totem sagrado é a grande ursa, trazem a busca de introspecção, intuição, sensibilidade e espera, representados pelo potencial feminino.

Os ventos do norte reverenciam o búfalo branco, totem que simboliza a sabedoria e a força dos ancestrais

E os ventos do leste representam o portal da águia dourada, trazendo a clareza, inteligência e objetividade do pólo masculino.




Nossa trajetória individual passa, invariavelmente, por ciclos de transformações necessárias e difíceis.

Não necessariamente dolorosas, isto depende de nós mesmos.

Quanto mais realizarmos a entrega, menos sofrimento, pois é a resistência que oferecemos ao giro da roda que provoca estagnação do fluxo de energia, resultando em dor e adoecimento.

Sabemos, por lei da física, que forças contrárias se anulam, muitas vezes a vida impulsiona para um determinado movimento e a nossa mente individual resiste e insiste em outra direção, causando imobilização.

Este conflito de forças, que representa a luta entre o ego e o eu, só gera perda de energia e frustração.




É preciso resgatar o contato com nossa natureza interna, harmonizando-se com as forças da natureza externa, para reaprendermos a escutar os Espíritos do Vento, alinhando nossa pequena vontade à Vontade Suprema. Como diria Sri Daya Mata, “a sublime realização vem por meio da entrega”.




Este importante aprendizado chegou até mim como uma verdadeira revelação mística, própria daqueles momentos pilares em que, diante de uma ameaça real, nos chocamos com a onipotência do Grande Mistério.

Munida de minha peculiar bravura ariana, resolvi enfrentar um medo antigo de águas profundas, gerado por uma experiência infantil traumática.

O mar estava calmo e a maré convidava a um mergulho mais ousado, além da zona de segurança estabelecida por mim mesma (ou seja, poucos passos além da areia) .

Soltei meu corpo na água e as ondas foram levando... levando...

Sentia-me um ponto insignificante na imensidão do oceano, deixei as preocupações se diluírem na fluidez daquele embalo marítimo, dancei com sereias e ondinas em minha imaginação quando, por um estalo, abri os olhos e me dei conta de que as “bandeirinhas vermelhas” haviam ficado muito atrás.

A princípio, uma grande apreensão “e se eu não conseguir voltar”, quanto mais braçadas mais eu sentia que estava me debatendo em vão, e o medo foi crescendo “eu não vou conseguir voltar”, mais braçadas e mais cansaço, a posição era a mesma.

O pânico foi tomando conta “eu vou morrer aqui!”.

No ápice do desespero, lembrei-me de minha avó que dizia que o que não tem remédio, remediado está, resolvi então apreciar a paisagem.

O céu, completamente azul, era um panô turquesa cintilante, o sol dourado lançava suas espadas de ouro, refletidas no verde profundo das águas. “Até que é um dia bonito para morrer”, pensei.

E o pânico foi cedendo lugar a uma entrega confiante, assustadoramente serena, tudo estava em ordem, senti a paz de Deus reinar.

Só aí percebi que, se nadasse na diagonal estaria a favor do fluxo e o fluxo a meu favor.

Consegui sair num ponto bem afastado daquele que mirei inicialmente, contudo se tivesse ficado fixada nele provavelmente não estaria aqui, contando a história.

Naquele momento compreendi Caetano quando disse que “um índio descerá de uma estrela colorida e brilhante, de uma estrela que virá numa velocidade estonteante, e pousará no coração do hemisfério sul, na América, num claro instante”.

Ele virá, virá que eu vi...




Texto: Patrícia Lucchesi

5 comentários:

alegria de viver disse...

Olá

Gostei da sua postagem, achei interessante, é sempre bom conhecer coisas novas.
Com muito carinho BJS.

Lilah disse...

Lindo, lindo,lindo texto!
Faz refletir, olhar para o céu azul, sentir o Sol e mais uma vez agradecer esta união com o divino. Agradecer esta luz que nos envolve.

Beijocas e luz no teu trilhar!

Dama das Flores disse...

Olá,Amiga!
Vim agradecer sua visita ao meu Jardim e conhecer seu lindo cantinho espiritual!
Muito interessaânte seu post sobre a Roda da Cura Indígena.
Bjssss,
Dama das Flores(Mary)

Nati disse...

Bueno que blog mas encantador y agradable,tiene cosas muy interesantes y me ha rsultado muy agradable pasearme por él. Te doy mis mas sinceras enhorabuenas y como no podria ser de otra manera me quedo como segidora y como candidata ha ser tu posible amiga si tú quieres claro.
Yo te invito a que conozcas mis blog se llaman:"LOS CUENTOS DE NATI" y "LOS PREMIOS DE NATI".
En el 1º encontrarás cuentos de Hadas, Duendes y seres fantasticos, en un mundo de fantasia siempre con una pizca de realidad y en el 2º premios, mimos, juegos sí entras siempre encontraras un premio dedicado con todo mí cariño para tí.
Si crees que merece la pena quedarse, tienes las puertas abiertas y toda mí ilusión.
Hasta pronto besos Nati.

Thaimí Quevedo disse...

Doces Amigas e Mulheres de Luz... Amei todos os comentários e amei muito mais vcs estarem fazendo parte de meu blog, de meus pensamentos e sentimentos.
Obrigada por fazerem parte dessa caminhada junto comigo, rumo a sabedoria e o entendimento do mundo que nos rodeia. Grata por esse companheirismo.
Mil Bjkas de Luz Violeta em vcs: Alegria, Lilah, Mary e Nati.
Desejo que o universo traga todas as bençãos em suas andanças...
Namastê!!!